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Atrativos Culturais


Atrativos culturais do Centro Histórico do Rio de Janeiro:
a melhor mistura do passado com a atualidade moderna,
às margens da Baía de Guanabara

O Centro Histórico da Cidade do Rio de Janeiro respira a leve bruma da Baía de Guanabara com a nova cortina aberta pela revitalização de inúmeros projetos, expondo seus atrativos culturais, que podem ser apreciados num passeio por suas ruas e praças, livres ao olhar do visitante, no intervalo entre o paredão de altos prédios de suas principais avenidas. São ruas, largos, becos e praças, prédios históricos e monumentos, que mostram o passado em diferentes épocas, testemunhando a grandeza do lugar e encantando a visão de cariocas e turistas.

Belos sobrados com gradis e cantarias na Rua da Carioca; praças como a Harmonia, com seu ar bucólico e tranquilo de cidade interiorana; igrejas mais que centenárias espremidas entre edifícios modernos; ou, se quisermos arejar a mente e o corpo, podemos subir o Morro da Conceição para encontrar o rico casario colonial e fortalezas de pedras, e, dali, avistarmos o “acidente” geográfico de maior beleza do Centro do Rio – a charmosa Baía de Guanabara.

Dezenas de bibliotecas, livrarias e sebos antigos, bares e restaurantes que perduraram por mais de século e continuam servindo iguarias apreciadas pelos visitantes que aqui aportam para passear. São atrativos de toda espécie que traduzem o melhor da alma carioca e que, sem dúvida alguma, ressaltam a expressão “ser carioca”, que nada mais é que a tradução de um estado de espírito, ou seja: a alegria, o bom humor, a gíria própria, o gingado e a roda que se forma em torno de uma cerveja e do papo descontraído em qualquer lugar.

Centro da Cultura, tambor da política, porta de entrada do Brasil, são expressões usadas para definir nossa cidade. Passeando por suas velhas ruas, como, por exemplo, Lavradio, Alfândega e Ouvidor, podemos sentir esta “alma carioca” presente em seu Centro Histórico. Aliás, História é a percepção maior quando transitamos por estes corredores de cultura. Lembramos, então, que há pouco tempo circulavam pessoas vestidas de veludo e tafetá, escravos, vendedores de todo tipo, que se movimentavam em tílburis e coches por esses caminhos, quando a Corte Real fixou residência no Rio de Janeiro.

Uma cidade é feita de camadas de História. O Rio não é exceção. Com o advento da nova urbanização promovida pelos governos e empresários na Zona Portuária, e com a retirada do Elevado da Perimetral, passamos a enxergar um pedaço do Rio desconhecido e preservado nas suas melhores características. Uma cortina foi aberta pelas obras e nos deparamos com situações até então desaparecidas. Ressurgiram o antigo Cais da Imperatriz no Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos na Gamboa, objetos de uso pessoal nas escavações, ruas com calçamento pé-de-moleque, e até trilhos de bondes e trens. O passado está de volta! Estas descobertas permitem o encontro da cidade com sua história mais recente, e a possibilidade de estudar, agregar conhecimento e mostrar suas marcas para as gerações futuras, seja na recuperação do bem patrimonial, na transformação do espaço público, ou na pesquisa arqueológica e antropológica de usos e costumes de épocas passadas. Institutos, Museus, Centros Culturais, Movimentos, nascem desta camada histórica revelada. São a benesse e o alerta para a preservação constante de nosso patrimônio histórico.

O Guia Cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro agora apresentado é um pequeno apontamento de nossos melhores atrativos culturais, mas também é um grandioso passeio pela cultura e a gênese carioca, que nos seus melhores costumes mantém viva sua melhor tradição: o Samba, em todas suas manifestações, que atinge o ápice na Marquês de Sapucaí, sua passarela maior; os blocos carnavalescos renascidos, os quais novamente trazem multidões para o Carnaval de rua; os botequins de beira de calçada; a conversa amigável na praça; o fim de tarde animado no bar, após o trabalho; a possibilidade do deslocamento seguro por novas vias e transportes modernos como o VLT, que está quase finalizado; e, principalmente, um novo alcance do olhar em paisagens restauradas pela abertura de novos espaços, confrontando a arquitetura antiga com a tecnologia de estruturas modernas que balançam sobre pilotis, como ondas no Museu de Arte do Rio, ou simplesmente concreto suspenso no espaço livre do Museu do Amanhã. Com atrativos culturais dispostos em verbetes e belas fotografias, o visitante, turista ou morador, poder desfrutar daquilo que o carioca oferece em sua maior grandeza – a generosidade, a alegria, o bom humor e a irreverência. Comidas, teatros, centros culturais, festas e arquitetura singular estão à disposição de todos, e, dependendo da localização, o usuário do Guia Cultural, fechando os olhos e se permitindo a abstração, poderá sentir o cheiro da brisa do mar, o barulho de gaivotas e pássaros marinhos, e, ao abrir os olhos, se deparar com um ambiente que o remeterá ao século XIX, ou às modernas formas da cidade em mutação. Das águas da Baía de Guanabara, cantadas em prosa e verso por viajantes que aqui aportaram e ingenuamente acreditaram tratar-se de um rio, podemos também aportar e apreciar os amplos e novos espaços que se aproveitam para mostrar a mescla de desenhos arquitetônicos: telhados coloniais, taipa e óleo de baleia, pedras, concreto e aço. Do antigo Cais Pharoux até a Praça Mauá, a cortina se abriu, e esta nova amplitude se combina majestosamente com o recorte da antiga capital Niterói, do Pão de Açúcar e do Cristo no Corcovado, compondo este cenário único e famoso no mundo inteiro.

Leve consigo o Guia Cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro e atravesse o Centro da Cidade Maravilhosa. Comemore, fotografe, deguste e aprecie as singularidades desta região de grande importância histórica e social, onde o encanto e a beleza estão ao seu redor trazendo sempre momentos inesquecíveis.

Aloysio Clemente Breves Beiler
Curador